quinta-feira, 12 de junho de 2014

VISÃO GERAL DA HISTÓRIA DA LINGUÍSTICA

PARTE I:

A ciência que se constituiu em torno dos fatos da língua passou por três fases sucessivas antes de reconhecer qual é o seu valor verdadeiro e único objeto.

Começou-se por fazer o que se chamava de “Gramática”. Esse estudo, inaugurado pelos gregos, continuado principalmente pelos franceses, é baseado na lógica e está desprovido de qualquer visão científica e desinteressada da própria língua; visa unicamente a formular regras para distinguir as formas corretas das incorretas; é uma disciplina normativa, muito afastada da pura observação e cujo ponto de vista é forçosamente estreito.

A seguir, apareceu a Filologia. Já em Alexandria havia uma escola “filológica”, mas esse termo se vinculou sobretudo ao movimento criado por Friedrich August Wolf a partir de 1777 e que prossegue até nossos dias. A língua não é o único objeto da Filologia, que quer, antes de tudo, fixar, interpretar, comentar os textos; este primeiro estuda a leva a se ocupar também da história literária, dos costumes, das instituições etc.; em toda parte ela usa seu método próprio, que é a crítica. Se aborda questões linguísticas, fá-lo sobretudo para comparar textos de diferentes épocas, determinar a língua peculiar de cada autor, decifrar e explicar inscrições redigidas numa língua arcaica ou obscura. Sem dúvida, essas pesquisas prepararam a Linguística Histórica: os trabalhos de Ritschl acerca de Plauto podem ser chamados linguísticos; mas nesse domínio a crítica filológica é falha num particular: apega-se muito servilmente à língua escrita e esquece a língua falada; aliás, a Antiguidade grega e latina a absorve quase completamente.

O terceiro período começou quando se descobriu que as línguas podiam ser comparadas entre si. Tal foi a origem da Filologia comparativa ou da “Gramática Comparada”. Em 1816, numa obra intitulada Sistema da conjugação do Sânscrito, Franz Bopp estudou as relações que unem o sânscrito ao germânico, ao grego, ao latim etc. Bopp não era o primeiro a assinalar tais afinidades e a admitir que todas essas línguas pertencem a uma única família; isso tinha sido feito antes, notadamente pelo orientalista inglês W. Jones (falecido em 1794); algumas afirmações isoladas, porém, não provam que em 1816 já houvessem sido compreendidas, de modo geral, a significação e a importância dessa verdade. Bopp não tem, pois, o mérito da descoberta de que o sânscrito é parente de certos idiomas da Europa e da Ásia, mas foi ele quem compreendeu que as relações entre línguas afins podiam tornar-se matéria duma ciência autônoma. Esclarecer uma língua por meio de outra, explicar as formas duma pelas formas de outra, eis o que não fora ainda feito.

É de duvidar que Bopp tivesse podido criar sua ciência – pelo menos tão depressa – sem a descoberta do sânscrito. Este, como terceiro testemunho ao lado do grego e do latim, forneceu-lhe uma base de estudo mais larga e mais sólida; tal vantagem foi acrescida pelo fato de que, por um feliz e inesperado acaso, o sânscrito está em condições excepcionalmente favoráveis de aclarar semelhante comparação.

Eis um exemplo: considerando-se o paradigma do latim genus (genus, generis, genere, genera, generum etc.) e o do grego génos (génos, géneos, généi, génes, genéõn etc.) essas séries não dizem nada quando tomamos isoladamente ou comparadas entre si. Mas a situação muda quando se lhes aproxima a série correspondente do sânscrito (gánas, gánasas, gánasi, gánassu, gánasam etc.). Basta uma rápida observação para perceber a relação existente entre os paradigmas grego e latino. Admitindo-se provisoriamente que ganas represente a forma primitiva, pois isso ajuda a explicação, conclui-se que um s deve ter desaparecido nas formas gregas géne (s) os etc., cada vez que ele se achasse colocado entre duas vogais. Conclui-se logo daí que, nas mesmas condições, o sse transformou em r em latim. Depois, do ponto de vista gramatical, o paradigma sânscrito dá precisão à noção de radical, visto corresponder esse elemento a uma unidade (gánas-) perfeitamente determinável e fixa. Somente em suas origens conheceram o grego e o latim o estado representado pelo sânscrito. É, então, pela conservação de todos os ss indo-europeus que o sânscrito se torna, no caso, instrutivo. Não há dúvida de que, em outras partes, ele não guardou tão bem os caracteres do protótipo; assim, transformou completamente o sistema vocálico. Mas, de modo geral, os elementos originários conservados por ele ajudam a pesquisa de maneira admirável – e o caso o tornou uma língua muito própria para esclarecer as outras num sem-número de casos.


CONTINUA...

BIBLIOGRAFIA

SAUSSURE, Ferdinand de. Curso de Linguística Geral. São Paulo: Cultrix, 2012. Capítulo I. Visão geral da história da Linguística (pp. 31-35)
Texto: VISÃO GERAL DA HISTÓRIA DA LINGUÍSTICA - Parte I
Por: Genilson Macedo - Fonte: https://linguisticaemfoco.wordpress.com/2013/09/24/linguistica-historica/

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Frase Chomskyniana




“It’s pretty ironic that the so-called ‘least advanced’ people are the ones taking the lead in trying to protect all of us, while the richest and most powerful among us are the ones who are trying to drive the society to destruction.”



Por: Lalinha Brito

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Estratégias de Manipulação Midiática



Texto Anônimo: Estratégias de Manipulação Midiática - Baseado nas Obras de Noam Chomsky
Por: Genilson Macedo - Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=gk9kTDglLVU

domingo, 25 de maio de 2014

O que é o bem comum?

Parte:  2 / 3
Esse tipo de socialismo, afirmou ele, não retrata "um sistema social fixo, auto-encerrado", com uma resposta definitiva para todas as multifacetadas questões e problemas da vida humana, mas sim uma tendência no desenvolvimento humano que busca atingir os ideais iluministas.
Assim compreendido, o anarquismo faz parte de um leque maior de pensamento e ação socialistas libertários que inclui as conquistas práticas da Espanha revolucionária em 1936; vai além, para empresas de propriedade dos trabalhadores que se espalham hoje no cinturão do ferro americano, no norte do México, no Egito e em muitos outros países, mais extensamente no País Basco na Espanha; e abrange os muitos movimentos cooperativistas em todo o mundo e boa parte das iniciativas de direitos humanos feministas e civis.
Essa ampla tendência no desenvolvimento humano busca identificar estruturas de hierarquia, autoridade e dominação que restringem o desenvolvimento humano, e então submetê-las a um desafio muito razoável: justificar-se.
Se essas estruturas não vencerem o desafio, devem ser desmanteladas - e, acreditam os anarquistas, "remodeladas a partir de baixo", como observa o comentarista Nathan Schneider.
Isto soa em parte como um truísmo: por que alguém defenderia estruturas e instituições ilegítimas? Mas os truísmos pelo menos têm o mérito de ser verdades, o que os distingue de uma grande parte do discurso político. E acredito que eles fornecem passos úteis para se encontrar o bem comum.
Para Rocker, "o problema que se coloca para nosso tempo é o de libertar o homem da maldição da exploração econômica e da escravidão política e social".
Deve-se notar que o tipo de libertarismo americano difere acentuadamente da tradição libertária, aceitando e de fato defendendo a subordinação dos trabalhadores aos senhores da economia, e a submissão de todos à disciplina restritiva e às características destrutivas dos mercados.
O anarquismo se opõe famosamente ao Estado, enquanto defende a "administração planejada das coisas no interesse da comunidade", nas palavras de Rocker; e, indo além, federações abrangentes de comunidades e locais de trabalho autogovernados.
Hoje os anarquistas dedicados a esses objetivos muitas vezes aprovam o poder do Estado para proteger as pessoas, a sociedade e a própria terra da destruição do capital privado concentrado. Isso não é uma contradição. As pessoas vivem, sofrem e resistem na sociedade existente. Os meios disponíveis devem ser usados para protegê-las e beneficiá-las, mesmo que um objetivo de longo prazo seja construir alternativas preferíveis.
No movimento dos trabalhadores rurais do Brasil, fala-se em "ampliar os pisos da jaula" - a jaula das instituições coercitivas existentes que podem ser ampliadas pela luta popular -, como aconteceu efetivamente ao longo de muitos anos.
Podemos ampliar a imagem para pensar na jaula das instituições estatais como uma proteção das feras selvagens que vagam lá fora: as instituições capitalistas predadoras e apoiadas pelo Estado, dedicadas em princípio ao lucro, poder e dominação privados, com o interesse da comunidade e do povo no máximo como uma nota de rodapé, reverenciado na retórica mas negligenciado na prática como uma questão de princípio e até de lei.
Grande parte do trabalho mais respeitado na ciência política acadêmica compara as atitudes públicas com a política do governo. Em "Affluence and Influence: Economic Inequality and Political Power in America" [Afluência e influência: desigualdade econômica e poder político nos EUA], o acadêmico de Princeton Martin Gilens revela que a maioria da população americana está efetivamente despossuída.

(...)
Rafael Quintiniano da Silva Lopes

sábado, 24 de maio de 2014

Enquanto isso, no Brasil...




Por: Lalinha Brito
                                                                                                               

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Integrando Pessoas com Deficiênca


QUALIDADE DE VIDA PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA 
CONTRIBUIÇÕES PARA UMA ABORDAGEM DE GINÁSTICA LABORAL

A ginástica laboral é um recurso empregado por empresas de diversos setores para reduzir o absenteísmo, quadro de lesões e melhorar a qualidade de vida de seus funcionários. A lei de cota para deficientes nas empresas foi um importante avanço no processo de inclusão dos mesmos em sociedade. Agora nas empresas este grupo participa das aulas de ginástica laboral, porém, devido a suas particularidades necessitam de um trabalho específico e muitas vezes individualizado por parte dos professores. Entendemos que é de suma importância aprofundar os conhecimentos sobre o tema para que os profissionais melhorar a qualidade de vida destes sujeitos. Objetivamos com o presente, familiarizar estes professores sobre as deficiências e suas particularidades, o ambiente corporativo e a ginástica laboral, bem como, propor contribuições para as aulas deste grupo tanto de ordem técnica como prescrição e execução dos exercícios além da didática durante as aulas.

Dissertação: “Qualidade de vida para pessoas com deficiência – contribuições para uma abordagem de ginástica laboral”
Autor: Ricardo Lima Bastos
Orientador: Gustavo Luis Gutierrez
Unidade: Faculdade de Educação Física (FEF)


Por: Genilson Macedo - Texto: A ginástica da inclusão - Mestre, Ricardo Lima Bastos - FEF

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Estruturalismo e Gerativismo parte 1



Olá caros leitores !
Nesta sequência de post's temos como objetivo apresentar dentre várias, duas teorias linguísticas que definem a língua de formas diferentes. Estamos falando de: estruturalismo de Ferdinand de Saussure e Gerativismo de Noam Chomsky.

O termo " linguística " pode ser definido como a ciência que estuda os fatos da linguagem. Estas duas teorias aqui citadas servem de referência para os movimentos modernos, pois é sempre a partir delas que as linhas modernas da linguística se constituem.
Mas antes de dar início a este assunto, como vocês já devem ter lido sobre Noam Chomsky no nosso primeiro post no próximo post iremos falar um pouco do Linguista suíço Ferdinand de Saussure e o estruturalismo.


Texto por: Ruth Alves de Souza